Havia um
poço no caminho daquele homem.
Escutou
uma voz que vinha de dentro do poço.
- Alguém
me ajude, pelo amor de Deus.
Aproximou
para olhar dentro do poço e verificar se poderia ver quem gritava.
Profundo
era o poço e escuro seu interior e nada podia ver.
Mas a voz
continuava a surgir da escuridão do poço.
- Alguém
ai em cima me ajude, pelo amor de Deus!
O homem
respondeu:
- Estou
aqui! Tentarei te auxiliar.
O homem
então fez uma corda do que pode encontrar na natureza ao seu redor.
Debruçou-se
sobre a borda do poço e gritou:
- Estou
jogando uma corda para você, segure-se nela e suba.
A voz de
dentro do poço respondeu:
- Estou
muito fraco. Não tenho forças para subir e sair daqui.
O homem
ouvindo aquela voz enfraquecida respondeu:
- Agora
sabe que estou aqui, e estarei segurando a corda para você subir e sair dai.
Tenha animo.
- A voz
de dentro do poço silencia por um instante e responde:
- Oh! Meu
Deus.
- E o
homem, responde em tom de voz firme:
- Você
consegue! Venha nas suas forças eu estarei aqui segurando a corda até que você
consiga chegar aqui em cima. Venha!
- Estou
muito fraco. Você poderia amarrar a corda em algum lugar ai em cima e descer
até aqui para me ajudar a subir. Estou me sentindo muito fraco.
O homem
percebendo naquela voz uma enorme fraqueza, novamente lhe responde com energia:
- Você
tenha certeza que só sairei daqui quando você se recuperar. E por nada nesse
mundo largarei a corda até que você esteja seguro aqui em cima. Venha! Tenha
fé! Estou aqui te esperando.
A voz de
dentro do poço, mais uma vez fica em silêncio por um momento e grita:
- Vou
tentar. Jogue a corda para mim.
O homem
então jogou a corda dentro do poço e ficou olhando a parte da corda sumir em
meio a escuridão daquele poço. Apoiou-se de alguma forma, colocando em torno de
seu corpo, a parte da corda que segurava. E disse:
- Estou
pronto. Suba!
O homem
percebe a corda firmando-se, demonstrando uma resistência, sinalizando que
alguém começou a segurar-se nela. Foi quando ouviu um barulho forte batendo na
água. O homem, então, percebe que aquele poço ainda guardava em seu interior
água. E pensou consigo: Deve estar com frio em meio a tanta umidade. E pergunta
para a voz dentro do poço:
- O que
houve? Que barulho é esse?
E a voz
responde:
- Tentei
subir, mas estou fraco, sem forças nos braços e não aguentei segurar-me e meu
corpo caiu novamente na água fria que tem aqui em baixo.
Foi então
que o homem, resolve colocar mais força na própria voz e diz:
- Não
desista! Continue tentando! Suba!
Escutou
como que um sussurro da voz de dentro do poço dizer:
- Meu
Deus, meu Deus, preciso de forças para sair daqui.
E o homem
mais uma vez diz:
- Ainda
que chova, ainda que faça frio, e mesmo que faça sol forte eu estarei segurando
a corda para você subir. Suba! Tenha fé! Venha! Estou aqui.
Em meio
as tentativas, foram várias as quedas. Até que surge em meio a escuridão do
poço um vulto se apoiando nas paredes do poço e sinalizando rigidez na corda.
Aos poucos o vulto toma a forma de alguém que se esforça agarrado a corda para
chegar até a superfície do poço.
O homem
com voz firme continua a dizer:
- Vamos,
você consegue. Já esta quase aqui em cima. Falta pouco.
A forma
humana se apresenta em movimentos de enorme força para chegar até a superfície
do poço, onde esta o homem sendo apoio para aquela forma humana que seus olhos
já podiam ver. E pouco antes de atingir a borda do poço aquela forma humana
estende um dos braços para o homem segura-la e assim obter mais forças para
finalmente atingir a superfície quando ouve do homem:
- Não
posso te estender meu braço, terá de continuar até se segurar na borda do poço
e poder largar a corda. Animo! Estou aqui e por nada largarei essa corda. Suba
até mim!
Surge no
horizonte por entre as nuvens os sinais do amanhecer e aquela voz que agora
demonstrava sua forma humana em silêncio continua no esforço de alcançar a
borda do poço. Assim que consegue joga uma das pernas por de cima da borda do
poço e impulsiona o corpo para ganhar o chão seco e se encostar nas paredes da
borda daquele poço. Depois de um esforço hercúleo para subir o próprio corpo,
deixa-se deitar no chão, sem forças, até para pronunciar uma palavra, e
adormece. Enquanto isso o homem retira a corda enlaçada na própria cintura e
começa a enrolar a corda enquanto seus olhos observam com ternura aquela forma
humana, adormecida, ofegante, em sua respiração pela vida. Aos poucos a corda é
enrolada e os olhares se encontram iluminados pelos primeiros raios do sol. A
voz, que dentro do poço gritava por ajuda, agora, uma forma humana, um olhar e
em lagrimas diz ao homem:
- Muito
obrigado por não desistir de mim. Como posso te agradecer pelo que fez por mim?
Por ter me salvado a vida!
O homem,
então, olhando com profunda ternura e compaixão, responde:
-
Levante-se, meu irmão, e perceba ao seu redor.
Aquela
voz, em silêncio, levanta a sua forma humana e olha ao redor. Percebe um
horizonte de poços e de dentro de cada um deles ouve vozes que pedem por ajuda.
Ao voltar o seu olhar para o homem, vê uma de suas mãos estendidas em sua
direção a lhe oferecer a mesma corda que foi utilizada para servir de apoio
para sair do fundo do poço e ouve o homem lhe dizer:
- Faça
aos outros o que queres que sejas feito a ti mesmo. Sem julga-los, sequer, pelo
tom da voz. Permitindo a cada um o mérito pelo próprio esforço realizado.
